quarta-feira, 14 de outubro de 2009

20º

" Os dias são sempre tão compridos quando não te vejo, meu amor, e tão curtos quando chegas, apesar de conseguires fazer parar sempre os ponteiros do relógio, porque sempre que tu chegas paras o tempo, os ponteiros têm medo de continuar a andar, por isso imobilizam-se, suspensos pelo fio da eternidade, à espera que tu saias e os deixes continuar a dar sempre a mesma volta, fechados dentro do relógio à espera que um dia alguém lhes abra o vidro e lhes resgate a liberdade, com a mesma doçura com que abres as portas do meu coração, quando entras, no fim da semana comprida que morre à tua chegada.


São sempre compridos mas sempre cheios, porque mesmo sem estares aqui, os enches com a tua voz, que ficou pendurada num quadro, ou o teu sorriso, escondido entre dois livros, fica tudo guardado e registrado, é assim o amor, guarda sempre o melhor, e eu sou como a mulher do guerreiro, a vida ensinou-me a esperar, a compor fio a fio num enorme tear um manto que estará sempre meio bordado e meio por bordar, só para te poder ver chegar.


Por isso não corras, não te apresses, não te entristeças com a distância nem sintas pena de mim por te esperar tanto, porque o tempo é sempre pouco quando sei que estás próximo, os dias bons são os que te trazem até mim e todos os dias me trazem sempre algo de ti.


É que o amor, que às vezes também se engana, há outras em que acerta sem precisar do relógio, e quem sabe se nós não acertámos no tempo, no espaço e no modo, como fazem os nossos corações quando me encostas à parede e eu vejo tempo parar, suspenso num eternidade só nossa que me faz pensar que afinal valeu a pena esperar tanto tempo por ti. Por isso a espera é quase nada e quase tudo, é a tua imagem no ar, a tua luz no escuro, um fio firme e esticado que me vai guiando pela vida. A espera é só o tempo de deixar crescer aquilo que há de ser. E é sempre pouco, quando se tem tanto para dar e receber."


I Love You

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